As intervenções arqueológicas realizadas entre 2003 e 2008 no Castro Grande de Neixón permitiram reconstruir a história de um complexo recinto monumental erguido na transição entre a primeira e a segunda Idade do Ferro, a poucos metros em direção ao interior em relação ao recinto fortificado do Castro Pequeno de Neixón. Originariamente, o Castro Grande de Neixón, estava delimitado e defendido por um fosso de grandes dimensões e uma paliçada, que contava com um acesso na área sul, conformado por uma interrupção do sistema defensivo. Os importantes restos fenícios encontrados – foram encontrados mais de 260 restos de cerâmica púnica – e as mudanças estruturais que experimentou este castro, contatam que se converteu em um autêntico empório, no qual se mesclavam funções comerciais e rituais.
A porta da área sul do Castro Grande de Neixón dava acesso ao recinto de caráter doméstico no qual se exumou um conjunto de 16 fossas escavadas no substrato rochoso que parece se organizar por todo o interior do espaço, já que foram documentadas em todas as áreas escavadas nos extremos sudeste e noroeste do recinto fortificado. Estas estruturas parecem ser fossas de armazenamento de cereal, amortizadas de forma ritual, entre os séculos IV-II A.C. mediante uma série de depósitos formados por materiais como vasilhas indígenas com restos de combustão, carvões, fragmentos de moinhos, pequenos pedaços de moluscos e de cerâmica púnica. Entre esta última, destacam-se restos de um askós, duas canecas procedentes do norte da África com paralelos em Sardenha, Córcega, sul peninsular e faixa atlântica (castros vizinhos de A Lanzada e Baroña), assim como limitações autóctones de cerâmica mediterrânea.
A ambos lados da porta de acesso, foram documentados abundantes materiais contemporâneos aos das fossas, entre os quais se destacam um concheiro e dois grandes depósitos cerâmicos, precisamente no fosso sul. Em relação a este concheiro, foi documentado uma importante quantidade de material de importação, assim como um grande número de exemplares de jarras do tipo Toralla, que se empregavam para beber (com uma decoração profusa). Em paralelo, no fosso norte, foram encontradas cerâmicas púnicas, uma manga tubular de um machado de ferro e uma garrafa de cerâmica sem equivalente no catálogo de cerâmicas castrenhas documentadas.
Ao longo da segunda Idade do Ferro, este castro experimentou uma reordenação, que vai em conjunto com o levantamento de uma muralha de terra, com um muro de contenção interno em pedra e a abertura de uma nova porta. No século I A.C., o acesso sudeste foi fechado completamente.
Estas descobertas nos fazem crer, que se converteu em um autêntico empório, no qual mesclavam funções comerciais e de rituais. A localização de todos esses materiais púnicos na entrada sudeste, assim como o possível enterramento de um cachorro e a deposição votiva de elementos de cultura material castrenha de caráter excepcional (chifre de veado, machado de ferro, imitação de unguentos, fíbula de bronze) remetem a um uso ritual desta arquitetura.
Os conhecidos como castros de Neixón se encontram em Cespón, paróquia do município de Boiro (província de La Coruña). Mais concretamente, se localizam entre o saliente de terra que forma a Punta Neixón, uma borda da pequena baía formada pelo rio grande e o rio Beluso.
Atualmente, podemos saber parte da história desses castros graças as escavações realizadas desde o ano 1920.
Os castros de Neixón, Castro Grande e Castro Pequeno, são dois povoados castrenhos que foram ocupados desde o final da Idade do Bronze até o século IV D.C. e se encontram situados nas margens do mar. Essa localização perfeita oferecia a seu povoado recursos básicos, entre eles a alimentação (pesca), comércio (praticavam a metalurgia para extrair metais de minerais e depois realizar intercâmbios) e a vigilância.
O Castro Pequeno de Neixón é um dos mais antigos, fechado entre a Idade do Bronze e a do Ferro, e nele se mesclavam diferentes culturas da Europa. O Castro Grande data de finais do século V A.C. e foi possivelmente povoado quando o pequeno foi abandonado. Nele, seus habitantes plantavam cereais, frutos, cuidavam do gado, pescavam e comercializavam.
Além disso, esses castros foram declarados como Bens de Interesse Cultural (BIC) em 2011 pela Xunta de Galícia.