O paço Quinteiro da Cruz está situado no vale do Salnés, na paróquia de Lois, no
município de Ribadumia. A finca possui uma extensão de 7 hectares, a metade está
destinada ao cultivo de Alvarinho.
O paço é do século XVIII e integra, uma casa originaria com um grande pátio interior, a
vinícula onde se elabora o vinho Alvarinho da própria finca, e que se comercializa com a
marca “Quinteiro da Cruz”, D.O. Rias Baixas, o alpendre com pórtico de colunas de
pedra, em cujo interior se encontra uma antiga lareira, adega e instrumentos agrícolas
(catalogados no patrimônio histórico vitivinícola europeu e patrimônio históricoartístico da Galícia). Este recinto abriga dois hórreos de grande capacidade e cruzeiro do
século XVIII, pombal, capela cuja pia batismal resgata o século XVI e fontes ornamentais.
Porém, sem dúvidas, o elemento mais destacado é seu jardim com mais de 850 classes
de camélias e espécies exóticas. Trata-se de um espaço ornamental com grande
interesse botânico, digno, em várias ocasiões, da Camélia de Ouro de S.M. la Reina.
Este lugar também tem importância na história mais recente da Galícia, e que nele se
forjou a reforma do atual Estatuto de Autonomia da Galícia, o fechamento do I
Congresso de Poesia Galega e se fecharam as jornadas Europeias de Inventário do
Patrimônio Vitivinícola Europeu PATRIVIT.
Entre os personagens do mundo da cultura que percorreram os jardins de Quinteiro da
Cruz, cabem destacar escritores como Manuel Maria (que dedicou a ele bonitos
sonetos), Uxío Novoneira, Bernardino Garña, Filgueira Valverde, Camilo José Cela,
Alfredo Conde, Nélida Piñón; pintores como Laxeiro, Ruibal, Conde Corbal, Xurxo
Alonso, Chaves, Miguel Piñeiro; científicos como Santiago Grisolía e Gregorio Varela; o
diretor de cinema Garci ou o escultor Ramón Conde, entre outros.
As camélias procedem de países longínquos da Galícia como China e Japão, e chegaram
ao final do século XVIII. Num princípio, fizeram parte dos paços e casas senhoriais da
nobreza galega, porém, com o tempo se introduziram nos jardins e fincas de toda a
região, até converter a Galícia como uma referência internacional no cultivo e produção
desta planta
O gênero Camellia inclui muitas plantas ornamentais, como por exemplo a planta do
chá, principalmente nas Rias Baixas, onde é muito cultivada como espécie ornamental,
graças aos seus solos ácidos e sua climatologia, que favorecem seu cultivo e induz seu
longo florescimento.
Graças a hibridação natural dessas plantas nos jardins, foram surgindo novas variedades,
chegando as 8000 atuais.
O fato de que se encontrem em sua maioria em paços e casas senhoriais, que possuem
grandes jardins, faz com que seja um deleite caminhar por eles e observando as distintas
variedades. Assim nasceu na Galícia, a Rota da Camélia. É um percurso proposto por
paços singulares, divididos entre A Coruña e Pontevedra, onde encontramos os jardins
mais espetaculares. O melhor momento para empreender nesta rota é a partir de
fevereiro, já que é quando começam a florescer as vistosas camélias.
Em Ribadumia se encontra o Paço Quinteiro, pertencente a Rota da Camélia, onde, além
de degustar de um bom vinho Alvarinho de colheita própria, podemos ver florescer as
mais de 5000 camélias de 1500 variedades diferentes. Das quais se destacam três: a
nipônica, a reticulata e a figo. Esta última, premiada com a Camélia de Ouro no Concurso
Internacional dedicado a este assunto.
Na paróquia de Lois, pertencente ao município de Ribadumia em Pontevedra,
encontramos o Paço Quinteiro da Cruz. Esta casa senhorial conta com uma vinícola
própria na que se elaboram seus próprios vinhos Alvarinhos Rias Baixas.
O edifício data do século XVIII e conta com um estilo neoclássico. O exterior do paço se
destaca por dispor de um alpendre ou coberta com pórticos, dois hórreos, um cruzeiro
do século XVIII. Além disso, seu jardim - recentemente declarado de Excelência
Internacional – conta com espécies como camélias, um pombal, uma capela e fontes
ornamentais. De fato, este paço pode ser visitado todos os dias do ano. Através do percurso por suas instalações, podemos despertar todos os nossos sentidos e aprender sobre as mais de 500 espécies de árvores e arbustos, e das mais de 5.000 árvores de camélias.
Ribadumia é um município da província de Pontevedra, localizado em pleno coração do
Val do Salnés. Faz divisa com os municípios de Vilanova de Arousa, Cambados, Meaño e
Meis. O nome do município procede do rio que o atravessa, o Umia.