Situado na paróquia de Aguiño, em um dos pontos mais ocidentais da península de O Barbanza, se encontra o cais fenício de A Covasa, uma estrutura única na Galícia. Foi construído pelos navegantes fenícios para fazer escalas nas suas frequentes visitas comerciais pelas costas galegas.
Seu quebra-mares constitui uma estrutura única em Galícia. Este se compõe de enormes blocos de pedra dispostos em três linhas de degraus que adentram quase setenta metros no mar. Existem várias teorias sobre sua origem, uma é a de que os fenícios construíram este porto para fazer escala em suas frequentes viagens pelo Atlântico.
A audácia dos marinheiros fenícios, os impulsionou a empreender em rotas a lugares afastados até então e desconhecidos. Chegaram a ser tão bons navegadores, que em várias ocasiones outros povos, como os egípcios, solicitaram seus serviços.
A finais do milênio II A.C., já dispunham de conhecimentos técnicos suficientes e de materiais necessários para que se lançassem a navegação de grandes distâncias. Construíam suas embarcações com a preciosa madeira dos cedros e ciprestes dos bosques libaneses.
Uma vez montadas as embarcações, as revestiam com betume, uma extraordinária inovação que garantia sua impermeabilização. Possuíam dois tipos de barcos: os de guerra, aos quais incorporaram uma invenção que em seu momento foi algo extraordinário, o esporão, com o qual podiam investir contra os navios inimigos; e os de carga, mais largos e lentos, porém com maior capacidade.
Os fenícios praticavam a navegação de cabotagem – seguindo durante o dia o curso das costas para desembarcar ao anoitecer em uma enseada protegida onde poderiam passar a noite – e a de altura. Neste último caso, guiavam-se pelas estrelas da noite. Aprenderam a navegar também, empregando como referência a Ursa Menor, com o qual tornava desnecessária a chegada em um lugar protegido para passar a noite. Deste modo, poderiam se afastar das costas, navegando a mar aberto, e cobrir grandes distâncias em pouco tempo. Seus barcos transportavam prata, ferro, estanho e chumbo da península ibérica, linho do Egito, cobre do Chipre e toda classe de produtos manufaturados gregos e egípcios.
A navegação pela costa portuguesa era muito mais complicada e penosa que navegar nas águas do mediterrâneo. De março a novembro, os barcos se enfrentavam com os ventos dos quadrantes norte e noroeste, e de dezembro a fevereiro, a nebulosidade impedia a navegação noturna, e o mar estava agitado inclusive no verão, e a debilidade das correntes tampouco ajudava. Assim, a rota até a Galícia somente era possível de realizar contra o vento e com barcos mais altos ou pouco carregados. As velas eram redondas e impossibilitavam que se movessem em diagonal, obrigando assim que a navegação fosse feita com remos e com a necessidade da cabotagem.
Existem evidências arqueológicas da navegação fenícia pelas Rias Baixas já no século I A.C., como o exemplar de âncora mediterrânea encontrada na baía de Vigo e dos petróglifos com representações fenícias situados em lugares estratégicos com bom domínio visual da costa: A Laxe de Auga dos Cebros em Pedornes, Santa Maria de Oia (Pontevedra). Um deles foi identificado com um hippoi fenício, barcos pequenos de borda baixa e de pequeno porte, com proas e popas em forma de cavalo, impulsionados por remos, mencionados por Estrabão em seu livro “Geografia”.
Tipos de barcos
Em um princípio, os barcos tinham duas linhas de remos, que se ampliaram a partir do século VI A.C., passando a linhas de três níveis de bancos de remos de cada lado do barco, logo a quatro níveis e por fim a cinco níveis.
Os fenícios usavam dois tipos de barcos. Os de guerra, longos e dotados de um esporão em proa, e grandes cargueiros redondos de uso mercantil. Também empregavam embarcações menores, de um ou dois remadores, e com a parte frontal da proa em forma de cavalo.
O barco mercante era bojudo, motivo pelo qual em grego se denominava “gaulós” (banheira). Poderiam alcançar até 20-30 metros de comprimento fora a fora e 6-7 metro de largura, com um calado de 1.5m. seu casco estava impermeabilizado com peixe e tinha desenhados dois olhos. Se dirigia com timões colocados na popa. Como propulsão auxiliar levavam remos, entre 18 e 20, que permitiam manobrar com rapidez em caso de que não houvesse vento, ainda que o impulso fundamental o dava a corrente de ar sobre uma grande vela quadrada, colocada em um mastro central. Os poucos remadores podem ter relação com a necessidade de levar, a maior quantidade possível de mercadoria. Sua capacidade oscilava entre 100 e 500 toneladas e sua velocidade, com vento favorável, em torno aos cinco nós. Para sua preservação contra malefícios, levava alguma figura, como o cavalo. A popa costumada ser de perfil arredondado e terminava em forma de cavaco ou rabo de peixe. Nesta parte se encontravam os remos usados como timão.
O barco de guerra tinha dois andares. Na parte inferior levava até 50 remadores sentados em bancos e na borda do andar superior, colocavam os escudos dos guerreiros. Também levavam um mastro com velas. O esporão de proa, em forma de relhas de arado, servia para se defender dos obstáculos e para avançar contra outros barcos. A popa tinha forma de cauda de peixe.
Riveira é um município costeiro situado na província de La Coruña, limítrofe com os municípios de A Pobra do Caramiñal e Porto do Son. Riveira se encontra dividida em nove paróquias: Aguiño, Artes, Carreira, Castiñeiras, Corrubedo, Oleiros, Olveira, Palmeira e Riveira. Destas, destaca-se, por sua peculiaridade, a de Aguiño. Nela encontramos o cais de A Covasa, de origem fenícia e datado de aproximadamente 3.000 anos.
O cais de A Covasa, ou cais fenício, era considerado muito importante para o comércio e para o intercâmbio de produtos e matérias-primas com o Mediterrâneo. Se encontra a quase 500 metros do autêntico porto de Aguiño.
Além disso, estudos realizados por investigadores expõem a teoria de que este cais, formado por pedras organizadas em três degraus – que, atualmente, seguem bem conservados – poderia supor um porto de referência no qual os comerciantes fenícios realizavam as escalas de suas longas viagens.