Pertencente ao Ministério da Defesa, a Ilha de Tambo preside a ria de Pontevedra, entre os municípios de Marín e Combarro, ainda que administrativamente pertença a Poio. Esta ilha quase de sonhos, ovalada e de forma piramidal, abriga uma longa história e muitas lendas. Uma delas conta que, São Frutuoso caminhou desde ela a Poio, onde fundou o conhecido monastério beneditino medieval de San Xoán, declarado Monumento Histórico-Artístico.
Durante anos, Tambo foi cobiçada por piratas. O monastério da ilha foi destruído pelo terrível pirata Drake, que a atacou em várias ocasiões. Porém, ainda se mantém de pé a antiga igreja monasterial dedicada a San Miguel e sua bonita fonte.
Porém a história da ilha retoma a muitos séculos atrás. Os primeiros indícios de habitação de Tambo, que se encontram na zona mais elevada desta ilha em forma de pirâmide, onde existem restos de um assentamento castrenho da Idade do Ferro. Por sua situação geográfica, é um lugar ideal para atracar. Por isso, poderia ser uma das Ilhas Casitérides mais cobiçadas da Antiguidade.
Casitérides é o nome com o qual os gregos denominaram os centros produtores de estanho (kassiteros) situados no extremo do Ocidente. Plinio o Velho, em seu livro “História Natural” indica que o primeiro grego que chegou as Casitérides foi Midácrito, personagem sobre o qual não se sabe nada mais. Historiadores e geógrafos como Ptolomeu, Heródoto e Estrabão, também fazem alusão a essas ilhas preciosas, que o geógrafo galego do século XVIII, José Cornide, situa, sem qualquer dúvida, no atlântico que banha a Galícia. Acredita-se que os fenícios já conheciam a rota do estanho ou das Casitérides, rotas essas que os cartaginenses haviam mantido ocultas até a época romana, dada a sua grande importância. Segundo Cornide, Sálvora, seria uma dessas dez ilhas míticas.
Heródoto, em seu livro III de “História”, quando se refere aos confins do mundo ocidental, menciona as Casitérides e as identifica como ilhas das quais seria proveniente o estanho dos gregos, apesar de que reconhece que não pode confirmar sua existência. Estrabão, em seu livro “Geografia”, afirma que se trata de dez ínsulas situadas próximo ao porto dos Ártabros (que habitariam a região em todos da atual La Coruña) e sustenta que foram os fenícios os primeiros a chegar ali. Conta, além disso, como os romanos tentaram, insistentemente, chegar as ilhas Casitérides, porém quando os navios fenícios que cruzavam o oceano em direção as costas galegas descobriram que estavam sendo seguidos, encalhavam seus barcos para preservar dessa maneira, o segredo da rota. Também o matemático, geógrafo e astrônomo grego Ptolomeu as menciona.
A partir da obra “Ora Marítima” de Aveiro (século IV A.C.), que conta as façanhas marítimas dos fenícios há 800 séculos, as principais correntes arqueológicas identificavam também sua localização exata na Bretanha Francesa ou nas ilhas Britânicas e que o trânsito dos fenícios pelo noroeste da península ibérica, era um passo a mais em direção as Casitérides. Contudo, na atualidade, os dados arqueológicos parecem indicar o contrário. Não existem evidências fenícias nem na Bretanha Francesa, nem na Grã-Bretanha, enquanto na Galícia sim, existem. A riqueza de estanho nas baías galegas e as numerosas amostras de importante atividade metalúrgica na transição da era do Bronze a do Ferro, parecem assim evidenciá-lo.
O geógrafo, naturalista e humanista galego JoséCornidedeSaavedrayFolgueira (La Coruña,1743-Madrid,1803) defende a situação geográfica das Casitérides nas costas galegas, conhecidas desde a antiguidade pela sua abundância de minas e que já indica que os fenícios comercializavam com os povoados da Galícia. O geógrafo se baseia nos textos dos historiadores e geógrafos clássicos e identifica essas ilhas “nos baixos de Correbedo, as Ilhas de Sálvora, Arousa, Cortegada, Grove, Ons e Ciés, Baiona e outras menores da baía de Arousa”.
Situada na província de Pontevedra, a Ilha de Tambo se encontra entre as localidades de Marim e Poio, e alcança uma superfície de 28 hectares. Em princípio, foi denominada Thalavo, Tanavo e Toambo, ainda que se associe ao latim “tumulus” ou ao grego “tumbos”, está relacionado com o nome da forma circular da ilha.
As diferentes investigações situam os primeiros assentamentos na ilha durante a Idade do Ferro, pois existem restos de assentamentos castrenhos no alto da mesma. A cultura castrenha estava caracterizada por povoados de construções circulares e restos de muralhas, que serviam para proteger a população.
Além disso, Tambo poderia ter sido parte das ilhas “Casitérides”, que era o nome com o qual os gregos chamavam as Ilhas do Estanho. Desde a Idade do Bronze, o estanho era um metal necessário para produzir o bronze juntamente ao cobre, e assim, criar utensílios de um metal resistente. Os fenícios eram conscientes da importância do estanho e buscavam por todo o Mediterrâneo.