Ainda que os povos primitivos espalharam-se por toda a Galícia, não existem dados nem estudos de assentamentos ou usos da Ilha de Sálvora nessa época. Alguns restos encontrados em seus areais dão fé do passo dos navegantes fenícios, porém, não comprovam sua visita a ilha. Assim, a história conhecida de Sálvora, começa a finais da Alta Idade Média na que, formando parte da coroa galego-asturiana, foi doada por Alfonso II o Casto à Igreja de Santiago. Por outro lado, as teorias que situam as míticas Ilhas Casitérides das que falam os romanos, apontam a essa ilha como sendo uma delas.
Casitérides é o nome com o qual os gregos denominaram os centros produtores de estanho (kassiteros) situados no extremo do Ocidente. Plinio o Velho, em seu livro “História Natural” indica que o primeiro grego que chegou as Casitérides foi Midácrito, personagem sobre o qual não se sabe nada mais. Historiadores e geógrafos como Ptolomeu, Heródoto e Estrabão, também fazem alusão a essas ilhas preciosas, que o geógrafo galego do século XVIII, José Cornide, situa, sem qualquer dúvida, no atlântico que banha a Galícia. Acredita-se que os fenícios já conheciam a rota do estanho ou das Casitérides, rotas essas que os cartaginenses haviam mantido ocultas até a época romana, dada a sua grande importância. Segundo Cornide, Sálvora, seria uma dessas dez ilhas míticas.
Heródoto, em seu livro III de “História”, quando se refere aos confins do mundo ocidental, menciona as Casitérides e as identifica como ilhas das quais seria proveniente o estanho dos gregos, apesar de que reconhece que não pode confirmar sua existência. Estrabão, em seu livro “Geografia”, afirma que se trata de dez ínsulas situadas próximo ao porto dos Ártabros (que habitariam a região em todos da atual La Coruña) e sustenta que foram os fenícios os primeiros a chegar ali. Conta, além disso, como os romanos tentaram, insistentemente, chegar as ilhas Casitérides, porém quando os navios fenícios que cruzavam o oceano em direção as costas galegas descobriram que estavam sendo seguidos, encalhavam seus barcos para preservar dessa maneira, o segredo da rota. Também o matemático, geógrafo e astrônomo grego Ptolomeu as menciona.
A partir da obra “Ora Marítima” de Aveiro (século IV A.C.), que conta as façanhas marítimas dos fenícios há 800 séculos, as principais correntes arqueológicas identificavam também sua localização exata na Bretanha Francesa ou nas ilhas Britânicas e que o trânsito dos fenícios pelo noroeste da península ibérica, era um passo a mais em direção as Casitérides. Contudo, na atualidade, os dados arqueológicos parecem indicar o contrário. Não existem evidências fenícias nem na Bretanha Francesa, nem na Grã-Bretanha, enquanto na Galícia sim, existem. A riqueza de estanho nas baías galegas e as numerosas amostras de importante atividade metalúrgica na transição da era do Bronze a do Ferro, parecem assim evidenciá-lo.
O geógrafo, naturalista e humanista galego JoséCornidedeSaavedrayFolgueira (La Coruña,1743-Madrid,1803) defende a situação geográfica das Casitérides nas costas galegas, conhecidas desde a antiguidade pela sua abundância de minas e que já indica que os fenícios comercializavam com os povoados da Galícia. O geógrafo se baseia nos textos dos historiadores e geógrafos clássicos e identifica essas ilhas “nos baixos de Correbedo, as Ilhas de Sálvora, Arousa, Cortegada, Grove, Ons e Ciés, Baiona e outras menores da baía de Arousa”.
A ilha de Sálvora localiza-se nas Rias Baixas galegas, mais precisamente na ria de Arousa, e conta com magníficas praias e dunas. Em direção ao norte da ilha, se encontra a aldeia de Sálvora, testemunho de que, em outros tempos, a ilha esteve habitada. Porém, não foi possível afirmar se foram os fenícios. A ilha era usada como base militar marítima para vikings e sarracenos na Baixa Idade Média, assim como para piratas e corsários entre os séculos XVI e XVIII.
As Casitérides ou Kassitérides eram o nome que os gregos deram as ilhas do Estanho. Desde a Idade do Bronze, o estanho era um metal necessário para produzir bronze juntamente com o cobre, e assim, criar utensílios de um metal resistente. Os fenícios eram conscientes da importância do estanho e iam em busca dele, pelo Mediterrâneo.