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Nautic Destination

Castro de Toralla

Sobre este patrimônio

O Castro de Toralla está localizado em uma pequena ilha, da ria de Vigo. Tinha uma muralha de 3 metros de grossura e um metro de altura. Desde os anos 80 do último século, foram feitas numerosas intervenções, que trouxeram à luz um lote importante de materiais púnicos, incluídos alguns fragmentos de cerâmica de revestimento vermelho. Possivelmente, o castro de Toralla atuou como empório distribuidor de materiais mediterrâneos até o século II A.C., da mesma maneira que o castro de Muiño, também em Vigo. Provavelmente, este castro foi abandonado durante o século II A.C.

Particular relevância tem o betilo de granito de um metro e meio de comprimento, conservado no museu Quiñones de León, de Vigo. Os betilos (obeliscos) aparecem em contextos religiosos fenício-púnicos ao longo do Mediterrâneo, desde Biblos a Gadir, o que faz pensar, que aqui existiu um espaço de culto fenício, da mesma maneira que em Punta do Muiño do Vento, em Alcabre. Este templo, similar aos encontrados em Andaluzia e Levante, haviam sido santuários portuários, que costumavam escolher os mercantes do Mediterrâneo para realizar suas transações.

Para saber mais

As comunidades que encontraram os fenícios quando de sua chegada ao noroeste, a finais do século V A.C., encontravam-se em pleno processo de transformação. Precisamente, esse período, marca a mudança entre a Primeira e a Segunda Idade do Ferro na zona. Até este momento, o Noroeste se caracterizava por uma constante homogeneidade cultural: predominavam os castelos pequenos, com arquitetura de planta circular e pouco monumental e fortificações com predominância de aterragens, fossos e terraplanagens. A ocupação do território era pouco densa e os assentamentos se localizavam em lugares elevados. A partir de finais do século V A.C., muitos desses povoados foram abandonados e se multiplicam os povoados em fundos de vales, que dotavam de defesas complexas e, ao menos na costa, se caracterizavam por uma estrutura em pedra monumental e ocupação bastante densa, ainda que seguiam sendo pequenos (2 hectares) ao menos até o século II A.C.

Ao contrário do sul peninsular, o Noroeste não sofreu o processo de “mediterranealização”. Os púnicos mantiveram relações comerciais, mas sem estabelecer colônias nem assentamentos permanentes, sendo o mais parecido a um assentamento permanente os espaços de culto identificados em Punta do Muiño e a Isla de Toralla (Vigo). Entretanto, existem sim, evidências de influência em alguns assentamentos do litoral meridional, onde se adotaram metalurgias e elementos da cultura religiosa por possível transferência ideológica através dos lugares de culto púnico no povoado.

Os primeiros empórios com presença púnica se localizam em lugares familiares para os mercadores provenientes do sul. Se tratam de paisagens similares ao mundo púnico mediterrâneo e a zona do Estreito de Gibraltar: ilhas próximas a costa, cabos que flanqueiam as enseadas, bons portos naturais e estuários de rios que atuam como vias de entrada em direção ao interior. Um primeiro traço deste primeiro comércio púnico, é sua concentração na costa. Aparentemente, os empórios monopolizavam a imensa maioria das importações e atuavam como intermediários entre produtores de metal do interior e os comerciantes da costa, seguindo o modelo clássico que parece acontecer em distintos pontos da geografia proto-histórica europeia. O envolvimento dos galaicos na Segunda Guerra Púnica, como soldados a serviço de Cartago, demonstra até que ponto as interações entre as comunidades do noroeste e os navegantes púnicos, haviam criado laços estreitos.

A partir de meados do século II A.C e com maior força a partir do ano 125 A.C. é quando o intercâmbio com o mundo mediterrâneo, reaparece com força, e evidencia a aparição de uma grande quantidade de ruínas em numerosos lugares. Neste período tardopúnico, é quando aparecem a figura do “oppida”, grandes castelos que se convertem em atração do comércio e que atraem particularmente a importação de grandes ânforas, cujo conteúdo se emprega em banquetes patrocinados pelas grandes elites que estavam a frente dos oppidas.

O vinho representa um papel fundamental na economia dos oppidas, e sem dúvida atuou como estímulo para o comércio a partir do século II A.C. O Vinho era um dos produtos com o qual os fenícios comercializavam, e que acabaram por criar vinícolas em todas as suas colônias e nos arredores de suas fábricas, também no norte da África, e inclusive em Cartago, e que posteriormente acabaria por herdar todo o poder fenício, como na península ibérica, França e Italia.

Para conhecê-lo melhor

Na ilha de Toralla, situada no sul da Galícia, vivem 140 pessoas aproximadamente. Localizada em Vigo (província de Pontevedra), é, atualmente, uma ilha privada a que somente seus residentes podem chegar.

Em Toralla, há alguns anos, foram encontrados restos de um castro que podem corresponder ao século VII A.C. Contava com uma muralha e, juntamente ao Castro de Alcabre, são os mais antigos de Vigo.

Em ambos casos, foram encontrados betilos (obeliscos) ou cipos de granito; ou seja, pedras sagradas que faziam referência a um espaço de culto fenício.

Próximo à Ilha de Toralla, localizamos a Vila Romana de Toralla ou Finca Mirambell, onde se encontraram as primeiras ruínas romanos da zona. Este povoado, situado na costa, estava dedicado a exploração de recursos marinhos através da pesca e das salinas.

Galeria

Castro de Toralla

Localização

Localidade
Vigo
Município
Vigo
Província
Pontevedra
País
Espanha

O bem

Tipo
Castro
Eco-destino
Ría de Vigo
Ambiente
Urban
Relevância
Internacional

Como chegar

Acesso
Por mar Por terra
Distância
100 metros

A visita

Visitável
Não
Interpretação
Não
Acessível
No
Estacionamento
Sinalizado
Sim

Coordenadas

Latitud
42.20013300
Longitud
-8.80286800