A aldeia está situada ao noroeste da Ilha de Sálvora, por cima de Punta Pernapraba. Está em ruínas, porém algumas casas foram restauradas apresentando sua forma original. A Ilha de Sálvora está declarada como Bem de Interesse Cultural (BIC) Paisagem Cultural.
Tem uma disposição em “U” para se proteger do Norte e dos ventos. É um tipo de arquitetura única da que restam poucos exemplos. As casas são de planta baixa,
apresentam os muros de pedra e se compartilham pelo meio. Algumas tem um pequeno jardim de entrada. A disposição em “U” nas casas, deixa um espaço central ao que olham todos, como pátio comunitário. Este pátio possivelmente foi utilizado como “curral”, local onde cercavam os animais, já que era possível seu fechamento tanto na entrada como na saída do povoado.
No interior das casas, o cômodo maior corresponde a cozinha e refeitório, que continha um forno de pedra e cozinha de ferro, apenas nas mais modernas. Antigamente estavam formadas possivelmente de um único cômodo e que posteriormente foram restauradas, criando divisões de tijolos, para criar as alcovas e estantes de cimento, facilitando a armazenagem na cozinha; e também era colocado sinos de cimento sobre as lareiras, para ajudar a extrair a fumaça.
Os inquilinos deixaram muitos dos bens domésticos para trás, quando abandonaram a ilha, como camas, cadeiras, garrafas de vinho quinados e anis, lareiras e pias, armários de granito.
A casa, que alguém algum dia, teve a ideia de batizar como “fábrica da luz”, guarda os geradores de energia enferrujados, mas que ainda se podem ler as letras em relevo dos seus fabricantes: “HMP Riveira” e a vasca Onena, fundada por José Maria Lasa. Em um galpão contíguo, a urina oxida o chassis do trator cujo motor era ligado para reforçar a produção elétrica.
A aldeia dispõe de uma zona com hórreos, que são um tipo de celeiro, com a base fechada e construídos em pedra. Possuem cruzes e pináculos como adornos em seu telhado de duas águas.
Não existem evidências nem dados de assentamentos de povos primitivos como celtas, romanos ou suevos.
Durante a Alta Idade Média, a ilha foi doada por Alfonso II o Casto a Igreja de Santiago. Porém não existem evidências de que houvesse alguma construção de uma igreja na ilha.
A ilha foi utilizada, durante a Baixa Idade Média, como acampamento base de ataques invasores, como vikings e sarracenos, o que tornou impossível um assentamento estável.
Posteriormente, quando acabaramm as lutas, uma população costeira mudou-se a Sálvora, para aproveitar suas terras. A igreja entregou a ilha a Marcos Fandiño Mariño no século XVI. Inaugurou também um regime feudal, até o princípio do século XVII, pelo qual, os moradores entregavam parte de suas colheitas e do gado, ao seu amo.
Entre 1770 – 1779, foi instalada uma fábrica de salmoura de pescados, conhecida como “O almacén” e, posteriormente, uma peixaria de atum em 1789 a que recebeu a exclusividade para o uso da ilha e quatro léguas ao seu redor.
Gente da costa povoou a ilha e se agruparam na “Aldea”, e em algumas casas, conviveram várias gerações. Não tinham igreja, assim que todas as celebrações se
realizavam na paróquia de Aguiño, a qual pertence a ilha. Tampouco tinha escola, porém os guardiões do farol, eram bons professores. Cultivavam milho, centeio, batatas e cada família tinha 7 ou 8 vacas, além de ovelhas, galinhas e coelhos; tudo para o consumo próprio.
Pescavam com suas dornas, esta pesca não estava sujeita a divisão com o amo e foi sua fonte de ingressos.
Em 1820, Isabel de Mariño, herdeira da ilha, se casou com Ruperto Antonio de Otero e com eles a saga dos Otero, se converteram nos novos proprietários de Sálvora.
No princípio do século XX, o Estado expropriou a ilha por motivos de defesa nacional, e mantiveram nela um pequeno agrupamento militar até 1958. Nesta nova situação, os moradores passaram a ser, colonos do Estado sem contraprestações, o que lhes permitiu melhorar sua vida. Reformaram suas casas, construíram novos estábulos, melhores embarcações…
Quando o exército se retirou, os antigos proprietários recuperaram a ilha. Introduziram animais, para o exercício da caça, que estragavam as colheitas. Os moradores da ilha começaram o despovoamento, por motivo de melhores trabalhos na costa e, até que nos anos 70, ficou totalmente desabitada.
Os proprietários se instalaram na antiga fábrica de “O Almacén”, reformando-a e atribuindo um ar de paço; e transformaram também a taberna da ilha em capela, a
renomeando como Capela de Santa Catarina.
Utilizaram a ilha como campo de caça, até que essa atividade fosse proibida pela administração local.
No ano de 2002, se incluiu na declaração do Parque Nacional, porém somente em 2007, foi quando a totalidade do seu território passou a ser patrimônio público.
Ribeira é um município da província de A Coruña, que conta com um dos portos pesqueiros mais importantes da Galícia. Pertence a comarca de Arousa Norte e se divide nas seguintes paróquias: Aguiño, Artes, Carreira, Castiñeiras, Corrubedo, Oleiros, Olveira, Palmeira e Ribeira.
Em frente a entrada da ria de Arousa, no mesmo município de Ribeira, encontramos a Ilha de Sálvora. Esta ilha faz parte do Parque Nacional das Ilhas Atlânticas e é a única, que pertence a província de A Coruña.
A Ilha de Sálvora era um refúgio para piratas e corsários até o século XIX. Atualmente, conta com uma paisagem espetacular, com praias e dunas rodeadas de fauna e flora marinha. Além disso, na parte norte da ilha, podemos encontrar a aldeia de Sálvora, que ficou desabitada a partir de 1970. Era um povoado de agricultores e pescadores onde ainda hoje podemos ver casas, hórreos, lavanderias, restos de moinhos e uma antiga fábrica de salmoura.
A ilha também conta com um farol, que se encarregava de alertar aos barcos quanto a proximidade da terra. Se trata de uma zona perigosa onde já se viveram naufrágios como o de Santa Isabel em 1921.