A primeira fábrica pioneira em aplicar um método industrial de conservas na Galiza encontrava-se situada na praia de Arealonga, Chapela. Uma paróquia que na atualidade pertence ao município de Redondela, mas que naquela altura pertencia à câmara de Lavadores. Víctor Curbera Puig foi quem a fundou em 1861, catalão de nascimento que se deslocou até Vigo na procura de prosperidade nos negócios, finalizando esta aventura empresarial familiar em 1990.
Por um acaso, um naufrágio na frente das costas de Fisterra, conheceu o método desenvolto peo confeiteiro parisiense Nicolás Appert e decidiu aplicá-lo em Vigo. Appert inventou a a maneira de conservar alimentos em jarras de vidro que, pouco depois, Philippe de Girard iria inovar com o emprego de recipientes de folha-de-flandres.
Cubera fez uma grande inversão e construiu dois edifícios pelos arredores da praia de Arealonga, que contavam com rampas de acesso desde o mar para descarregar o material. Na fábrica trabalhavam mulheres para o tratamento do produto, enquanto os homens se encarregavam das tarefas mecânicas. Para além de sardinhas e outros peixes, também eram envasilhadas frutas, carnes , verduras e leite de vaca.
Posto que a família Curbera possuía experiência com o transporte marítimo, nomeadamente com países da América, boa parte da produção era destinada para exportação desde o porto e Vigo. Era empregue um método muito artesanal na elaboração das conservas, pelo que os custos de produção eram elevados.
A conserveira funcionou até 1877 mas a família continuou no negócio e converteu-se em refernte, não só em Vigo, mas também em outros pontos da Galiza.
Apesar de que a conserveira esteve em funcionamento até 1877, a família continuou no negócio e tornou-se referência não apenas em Vigo, mas também em outros lugares da Galiza. O seu filho José Ramón Curbera, em 1900, teria desenvolto um importante negocio com fábricas em Vigo e Bueu e chegou mesmo a produzir três milhões e meio de conservas ao ano. A experiência e os seus bons contatos fizeram-no ser o Presidente da Unión de Fabricantes de Conservas, entidade que tinha por objetivo a melhora das condições da industria, conseguir ajudas públicas e, ao um mesmo tempo, investir na inovação de novos projetos. Também participou da política, chegando a ser vice-prefeito de Vigo e um dos fundadores da Cámara de Comercio e do que era o Banco de Vigo. Foi, também, presidente do Club de Campo e do Vigo Sporting, um dos clubes de futebol mais representativos da cidade e redondezas.
Esta saga familiar também sofreu a crise produzida pela falta de sardinha na Galiza, que resolveu comprando sete embarcações de vapor para realizar a tarefa de pesca em Asturias e norte de África. O objetivo era que as conserveiras que administravam não ficassem abandonadas.
Finalmente, as empresas da família Curbera desapareceram em 1990 quando já não puderam fazer fronte à crise. Foi o final duma dinastia familiar, se bem ainda são conservados os seus valores.
A praia de Arealonga está situada na paróquia de Chapela, que pertence ao município de Redondela. O areal encontra-se ente o porto desportivo e o porto de Chapela.
Redondela é um município da província de Pontevedra que tem sido habitado desde tempos inmemoriais, pois, já no Monte Penide ou Monte Mirallo e Ventosela têm sido encontrados diferentes restos de dólmens, petróglifos e gravuras rupestres que provam isso.
Chapela é uma paróquia de Redondela que se destaca por ser uma vila marinheira onde a industria é muito importante, contando no município com uma fábrica de prestígio como Pescanova.
A Galiza tem ido sempre um passo à frente no que respeita à pesca e à conserva. A partir do século XIX, os empresários catalães decidiram mudar as fábrica de salgação pelas da conserva de peixe. É assim que o demonstra a conserveira Palácio de Oriente, pois António Alonso, o fundador, escolheu a Galiza para a construção da sua primeira fábrica no ano de 1814.
Por outra banda, a construção naval sempre destacou na província de Pontevedra. Existia a necessidade de pescar cada vez mais afastados e com embarcações de maior tamanho, pelo que começou a criação dos estaleiros da ria de Vigo. No começo, naves como gamelas, dornas e lanchas ao jeito, as quais eram embarcações que se ajustavam à pesca daquela época. Porém, a partir de 1880, a linha de ferro já levava peixe fresco para o mercado interior e, devido a isto, a industria conserveira viguesa teve um aumento na sua demanda.